[ EN | PT ] The Decay of the Monarch - A decadência do monarca

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Opening the doors of his dark lair, the decrepit king, in his thousands of years of artificially extended life, dealt with the high cost of his actions and his long life. None of his subjects even resembled those who initially helped build the castle, build the catacombs where his wife was buried, or even served him in his countless battles. There was no longer any merit in his actions, only the production and distribution of coins and the administration of taxes were his competence now. Long life, which had been the old man's great temptation, now took its toll...

The king was tired. His wrinkled neck ached, and his bones were so thin he could feel the wind in his bones. He descends the stairs slowly, feeling the weight of his body with each step he descends as he slowly walks up the long side stairs. The dark walls of thousands of years that he had seen being built were now covered in mold and insects of all sizes and species. Every crevice and window in the tower, which once showed a thriving kingdom, now show what had been built on the ruins of his beloved kingdom.

Ruins... It all came down to this... What's the point of living forever if you only share your life with the destruction of what's left of your conquests?

The king arrives at the foot of the tower, where two servants await him. These cover him with their crimson robes as they assist the elder to ascend his throne once more. Not even the throne was the same, it had already been replaced at least twenty times. If everything had been changed, what made that old realm the same as the old man watched?

Eternal life... A temptation that since ancient times all monarchs, sages and warriors wanted, a forbidden desire that, even if they thought it was impossible, everyone sought. A pitiful and damned day that that old hag sold the monarch the concoction that allowed him to see more than anyone else, and that allowed her body to last for so many ages.

His subjects behold him with trivial matters such as land disputes and accountability. How boring... How tired...

The king's sorcerer arrived again with the daily cup of the solution that kept the monarch still alive. This time, he refused. It is enough to artificially prolong life. That didn't make sense anymore, after all, everyone he loved had been dead for centuries...

"What did it cost me?" thought the king. "What cost the long life I so longed for?"

He cost death. Not the death of the body, but the death of your feelings, and of your will to live. For generations this has been maintained so as not to weaken his kingdom, but an old man, even if he delays, always falls into decay.

"My time has come... Just remember all I sacrificed for you..."

Many subjects, despite clearly realizing the decadence of the former monarch and fully understanding the pain he felt, still felt immensely dejected by the end of the life of the one who ruled them for so many ages. He deserved the rest, after all.

The monarch asks for help to get up. When he raises the wrinkled body again, he feels that he could still keep himself alive if he wanted to. But the king had no plans to prolong his life for another day. Instead, he whispered something in the sorcerer's ear, which turned paler than usual. The atmosphere fills with tension as the man turns his back and returns with a small vial of greenish gray powder on top of a tray.

As he picks up the vial, the king feels that this will be the final scene of his long life. But he didn't want a simple end. He longed to walk out of this life into the next in a great show. Immediately, with a gesture of his bony hand, the king orders that the nobles of the room be executed immediately, an order that is carried out by the countless royal guards who were in the same room of your majesty. When the ground begins to acquire a crimson hue from the mixture between the bodily fluids of those who had lost their heads, the frightening and demonic laugh of the one who had seen thousands of lives taken by the countless wars he had fought. The king's face contorted into a devilish, bloodthirsty expression not seen in over a thousand years, as he drew a long dagger from his robes from his cloak and addressed the last living nobleman, piercing his chest in motion. almost impossible for a man as old as the kingdom itself.

With his body completely smeared with blood, as he watched his subjects futilely try to flee, he orders the slaughter to stop, and that only those who lived at the expense of his legacy go to the afterlife along with him. The soldiers obey the order without question as the king approaches the few workers, farmers, and cults in the precinct, pats the younger ones on the head, and utters sweet words in a long-forgotten dialect. The subjects are filled with horror as they realize that the murders that took place a few minutes ago meant nothing to the mad and cruel monarch who was in front of him. But no one dared to try to stop him, for the penalty would be hundreds or even thousands of times worse than death itself.

The monarch opens the doors to the old hall as he gulps down the dust. Those who stood in front of the millenary doors of the old castle, unaware of the slaughter that had taken place a few minutes before, were horrified to see the king and his loyal soldiers covered in dark blood.

The king is deeply filled with joy. That scene would be remembered for as many millennia as he had lived. Now he could leave in peace.

His body falls to the ground, completely lifeless, amid expressions of surprise and fear from those around him. Finally, it's over.


Abrindo as portas de seu covil sombrio, o rei, decrépito, em seus milhares de anos de vida artificialmente estendida, lidava com o alto custo de suas ações e de sua longa vida. Nenhum de seus súditos nem sequer se assemelhavam aos que, inicialmente, ajudaram a construir o castelo, a construir as catacumbas onde sua esposa estava sepultada ou mesmo o serviram em suas inúmeras batalhas. Nenhum mérito mais havia em suas ações, apenas a produção e distribuição de moedas e a administração dos impostos era de sua competência agora. A longa vida, que foi a grande tentação do ancião, agora cobrava seu preço...

O rei estava cansado. Seu pescoço enrugado doía, e seus ossos estavam tão finos que ele conseguia sentir o vento em seus ossos. As escadas ele desce lentamente, sentindo o peso de seu corpo a cada degrau descido enquanto percorre lentamente a longa escada lateral. As paredes escuras de milhares de anos que ele viu sendo construídas agora estavam cobertas de mofo e insetos dos mais variados tamanhos e espécies. Todas as frestas e janelas da torre, que antes mostravam um reino próspero, agora mostram o que havia sido construído sobre as ruínas de seu reino amado.

Ruínas... Tudo se resumia a isso... Do que vale viver para sempre se você só compartilha sua vida com a destruição do que sobrou de suas conquistas?

O rei chega ao pé da torre, onde dois servos o esperam. Estes o cobrem com seu manto carmesim enquanto auxiliam o ancião a subir ao seu trono mais uma vez. Nem mesmo o trono era o mesmo, já havia sido substituído ao menos vinte vezes. Se tudo havia sido trocado, o que fazia aquele antigo reino ser o mesmo que o velho observava?

Vida eterna... Uma tentação que desde os tempos antigos todos os monarcas, sábios e guerreiros desejavam, um desejo proibido que, mesmo que pensem ser impossível, todos o buscavam. Lamentável e maldito dia o que aquela bruxa velha vendeu ao monarca o preparado que lhe permitiu ver mais que todos, e que permitiu que seu corpo perdurasse por tantas eras.

Seus súditos o contemplam com questões triviais, como disputas de terras e prestação de contas. Que chatice... Que cansaço...

O feiticeiro do rei chegou de novo com a taça diária da solução que mantinha o monarca ainda vivo. Dessa vez, ele recusou. Chega de prolongar artificialmente a vida. Isso não fazia mais sentido, afinal todos os que este amava já estavam há séculos mortos...

"O que isso me custou?", pensava o rei. "O que custou a vida longa que eu tanto desejava?"

Custou a morte. Não a morte do corpo, mas a morte de seus sentimentos, e de sua vontade de viver. Por gerações este se manteve para não enfraquecer o seu reino, mas um velho, mesmo que demore, sempre cai em decadência.

"Chegou a minha hora... Apenas se lembrem de tudo que eu sacrifiquei por vocês..."

Muitos súditos, apesar de perceberem claramente a decadência do antigo monarca e compreenderem plenamente a dor que este sentia, ainda se sentiram imensamente abatidos pelo fim da vida daquele que os governou por tantas eras. Ele merecia o descanso, apesar de tudo.

O monarca pede ajuda para se levantar. Ao erguer o corpo enrugado novamente, este sente que ainda conseguiria se manter vivo, caso assim o desejasse. Mas o rei não tinha planos de prolongar sua vida por mais um dia. Ao invés disso, sussurrou algo no ouvido do feiticeiro, que fica mais pálido que o de costume. O clima se enche de tensão enquanto o homem vira as costas e volta com um pequeno frasco com um pó cinza esverdeado em cima de uma bandeja.

Ao pegar o frasco, o rei sente que esta será a cena final de sua longa vida. Mas ele não queria um simples fim. Ele desejava sair desta vida para a próxima em um grande espetáculo. Imediatamente, com um gesto de sua mão ossuda, o rei ordena que os nobres da sala sejam executados imediatamente, ordem essa que é cumprida pelos inúmeros guardas reais que se encontravam no mesmo cômodo de vossa majestade. Quando o chão começa a adquirir um tom carmesim oriundo da mistura entre os fluidos corporais daqueles que haviam perdido suas cabeças, a risada assustadora e demoníaca daquele que vira milhares de vidas serem ceifadas pelas inúmeras guerras que lutara. O rosto do rei se contorcia em uma expressão diabólica e sedenta por sangue que não era vista há mais de mil anos, enquanto este tirava de seu manto um longo punhal de suas vestes e se dirigia ao último nobre vivo, perfurando o peito deste em movimentos quase impossíveis para um homem tão velho quanto o próprio reino.

Com o corpo completamente sujo de sangue, enquanto via seus súditos tentarem, inutilmente, fugirem, ele ordena que a chacina pare, e que apenas aqueles que viviam às custas de seu legado fossem para a outra vida junto com ele. Os soldados acatam a ordem sem discussão enquanto o rei se aproxima dos poucos trabalhadores, fazendeiros e cultos que se encontravam no recinto, acaricia a cabeça dos mais jovens e profere palavras doces em um dialeto há muito esquecido. Os súditos se enchem de horror ao perceberem que os assassinatos ocorridos há poucos minutos não significaram nada para o louco e cruel monarca que se encontrava em sua frente. Mas ninguém se atrevia a tentar pará-lo, pois a pena seria centenas ou até milhares de vezes pior que a própria morte.

O monarca abre as portas do velho salão enquanto engole o pó em seco. Os que estavam em frente às portas milenares do velho castelo, sem conhecimento algum da chacina ocorrida poucos minutos antes, se horrorizaram ao ver o rei e seus leais soldados cobertos de sangue escuro.

O rei se enche profundamente de alegria. Aquela cena seria lembrada por tantos milênios quanto os que ele vivera. Agora sim ele poderia partir em paz.

Seu corpo cai no chão, completamente sem vida, em meio a expressões de surpresa e de medo dos que estavam ao redor. Enfim, acabou.

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