Uma vez me perguntaram: “do que você tem mais medo?".
Parei por um minuto para pensar. Eu sempre tivera medo de tantas coisas que era difícil escolher uma...
A que eu tinha mais medo?
Parecia impossível. Não dava, eu era covarde demais, não enfrentava os fantasmas que me assombravam, ao invés disso fingia que eles nem sequer existiam.
Não consegui responder àquela pergunta....
Depois de algum tempo, aquilo ainda rondava em minha cabeça de forma estranha, e cada uma das coisas que eu sentia medo, não foram tão ruins como a maneira que eu me senti em uma noite silenciosa, onde o único barulho era os meus soluços. Eu estava sozinha, não havia ninguém. Eu não tinha ninguém. Nada me acalmava, eu não conseguia pregar meus olhos e dormir...
A razão disso? O próprio silêncio.
Era difícil olhar onde eu tinha chegado, e que eu estava completamente sozinha. Minha alma estava muda, surda, ferida.
Desde então eu desaprendi a gostar do silêncio porque era ele que tirava o meu sono, e aprendi o que era o barulho. Acostumei-me e passei a precisar de qualquer som que fosse para conseguir dormir.
Li em algum livro, que nós somos algum tipo de lobo que sempre está esperto para o que ameaça a sua alcateia, e no calar da noite quando não há lobos soltos do lado de fora, os lobos que moram dentro começam a uivar alto.
Mas depois de conhecer um certo rapaz, tinha percebido que eu não me importava mais em ficar no silencio, porque eu tinha sua companhia... E o barulho de sua respiração quando a gente dormia junto, era o que abafava o barulho dos lobos da cabeça e do coração.