Diário de Quarentena #35

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Sigo na quarentena...

Uma certa normalização das atividades cotidianas, mesmo em curva ascendente de incidência e mortalidade no Brasil.

Incidência é o número de casos novos, não esperados, em determinado espaço de tempo. Diferente de prevalência, que é o número esperado de casos em determinado espaço de tempo.

Essa diferença é fundamental.

Nesse interim, já passamos os 50 mil mortos. 50 mil. Muitas evitáveis.

50 mil pessoas. Pai, mãe, filho, avós, avôs, netos, primos, amigos...

50 mil.

E mesmo assim inicia-se a flexibilização do isolamento, que nunca foi um isolamento de fato.

O presidente que negou desde sempre a "gripezinha", agora tenta colocar a culpa nos governadores e prefeitos.

Os governadores e prefeitos pressionados, começam abrir as pernas.

Fora a corrupção com as verbas da saúde que atingem todas as esferas do poder púlico.

Hospitais federais, estaduais e municipais seguem sucateados. A rede municipal de saúde segue colapsada.

Até o futebol no Rio voltou, mesmo que sem torcida.

50 mil pessoas, e ainda têm mais recordes que o Brasil vai quebrar. Junto com a economia, que quanto mais se negligência a pior calamidade púlica do nosso tempo, mais a economia vai demorar para retomar de vez.

Espero o rigor da polícia federal e do jurídico que tiveram com outros partidos como na época do mensalão e da lava jato.

Só cego não viu que a nova política, é a velha de sempre, com o adendo do fanatismo e retorno do autoritarismo. Um falso patriotismo que alimenta a imaginação, os próprios desejos, insatisfações e necessidades, mas só fica por aí mesmo.

A cegueira do bolsonarismo é digna dos escritos de Saramago.

50 mil mortos por uma "gripezinha" é normal no Brasil.