Publicado en Español, Inglés y Portugués.
Hola, buenas, un saludo a todos y linda jornada.
Hace algunos años que escribo poemas, no me considero poeta, ni escritora.
Dice alguien que conozco, un señor avezado en el tema, que no porque hayas escrito algunos poemas te puedes considerar escritor.
Igual, lo sea o no, voy a seguir en el oficio.
Tengo varios archivos llenos de poemas que he escrito en disímiles lugares y bajo situaciones diferentes. Aún haciendo las labores de casa, frente a la lavadora recuerdo que vino un momento iluminado y escribí uno en escasos 15 minutos. Una amiga lo llama "El poema de la lavadora" aunque nada tiene que ver con esta. Y así amigos he decidido compartir aquí algunos de ellos. Por eso la frecuencia. Quizá arme 2 o 3 cuadernos y mande a concursos. Puede ser.
Hoy les ofrezco otro más de ellos.
Ojalá lo lean.
No por arbitrario, ni por vano oficio,
sino porque las palabras me pujan en el pecho,
hay cosas que no caben en mi lengua
que se queman si las dices al oído,
mas encuentran cauce cuando las tiendo
sobre la pálida celulosa.
A veces el pensamiento es un rayo,
y la mano, un caracol.
Los dedos tropiezan, van lentos
mientras la idea galopa
y en ese desfase,
eclosiona la imperfección, el escozor,
la belleza de no alcanzar del todo
lo que la mente vio en un destello.
Escribo para mirar de soslayo,
para decir «la lluvia» y significar «tu ausencia»,
para nombrar el vidrio y que entiendas «el miedo».
Porque a veces lo recto es un desvío,
y lo torcido, el atajo más directo al centro.
Yo puedo ser filo en tu cuchillo,
o la brisa que acaricia sin tocar.
Puedo encerrarme en torres con léxico de marfil,
en laberintos donde solo yo habito,
y perderte en la espesura del vocablo.
Pero ¿de qué sirve la palabra arcana
si nadie descifra la ruta?
Entonces, preferiré siempre la piedra clara,
la metáfora que se deja beber,
la frase que no precisa diccionario
sino esencia y corazón.
No acredito que el poema sea trofeo,
es puente;
y si no cruzas,
yo sigo en la orilla de la nada.
Así que tiro mis versos al viento,
como quien suelta semillas sin saber dónde caerán.
Quizás lleguen a tu ventana,
o tal vez los atrape un extraño
que se adueñe de su espíritu,
los vista con su propia carne,
los llore con su propia lluvia.
Porque al final,
no deseo un monólogo.
Quiero una confidencia a varias voces,
una botella arrojada al mar del tiempo
con la esperanza de que alguien,
en alguna orilla,
la abra y encuentre
el eco de su propia sed.
No escribo porque haya aprendido el oficio.
ni para ocupar un lugar en los estantes.
Escribo porque el silencio me pesa más que el alma.
Porque si no digo esto, reviento.
No escribo porque soy poeta.
Yo verso por necesidad.
Hello, good day, greetings to everyone, and have a lovely day.
I've been writing poems for a few years now, but I don't consider myself a poet or a writer. Someone I know—a man well-versed in the subject—says that just because you've written a few poems doesn't make you a writer. Whether I am or not, I'll keep at this craft.
I have several files full of poems I've written in all sorts of places and under different circumstances. Even while doing housework, in front of the washing machine, I remember a moment of inspiration when I wrote one in barely 15 minutes. A friend calls it "The Washing Machine Poem," though it has nothing to do with it. And so, friends, I've decided to share some of them here. That's why I'll be posting frequently. Maybe I'll put together 2 or 3 notebooks and send them to contests. Who knows.
Today I offer you another one of them. I hope you read it.
Not out of arbitrariness, nor for a vain craft,
but because words push against my chest
there are things that don't fit in my tongue,
that burn if whispered in your ear,
yet find their course when I lay them out
on pale cellulose.
Sometimes thought is a lightning bolt,
and the hand, a snail.
Fingers stumble, move slowly
while the idea gallops ahead,
and in that lag,
imperfection hatches, the sting,
the beauty of never quite reaching
what the mind glimpsed in a flash.
I write to look sideways,
to say "rain" and mean "your absence,"
to name "glass" and have you understand "fear."
Because sometimes the straight path is a detour,
and the crooked one, the shortest route to the center.
I can be the edge of your knife,
or the breeze that caresses without touching.
I can lock myself in towers with ivory lexicon,
in labyrinths where only I dwell,
and lose you in the thicket of the word.
But what use is arcane language
if no one deciphers the path?
So I will always prefer the clear stone,
the metaphor that lets itself be drunk,
the phrase that needs no dictionary—
only essence and heart.
I don't claim the poem as a trophy;
it's a bridge—
and if you don't cross,
I remain on the shore of nothingness.
So I cast my verses to the wind,
like someone scattering seeds without knowing where they'll fall.
Maybe they'll reach your window,
or perhaps a stranger will catch them,
claim their spirit,
dress them in their own flesh,
weep them with their own rain.
Because in the end,
I don't want a monologue.
I want a confidence in multiple voices,
a bottle cast into the sea of time
with the hope that someone,
on some shore,
will open it and find
the echo of their own thirst.
I don't write because I've learned the craft,
nor to earn a place on the shelves.
I write because silence weighs heavier on me than my soul.
Because if I don't say this, I'll burst.
I don't write because I'm a poet.
I verse out of need.
Olá, boa tarde, um abraço a todos e tenham um lindo dia.
Há alguns anos que escrevo poemas, não me considero poeta, nem escritora. Alguém que conheço, um senhor versado no assunto, diz que não é porque escreveste alguns poemas que te podes considerar escritor. Seja ou não, vou continuar no ofício.
Tenho vários arquivos cheios de poemas que escrevi nos mais diversos lugares e em diferentes situações. Até enquanto faço as tarefas de casa, em frente à máquina de lavar, lembro-me de que veio um momento iluminado e escrevi um em apenas 15 minutos. Uma amiga chama-lhe "O poema da máquina de lavar", embora nada tenha a ver com ela. E assim, amigos, decidi partilhar alguns deles aqui. Por isso a frequência. Talvez monte 2 ou 3 cadernos e os envie a concursos. Pode ser.
Hoje ofereço-vos mais um deles. Espero que o leiam.
Não por arbítrio, nem por vaidoso ofício,
mas porque as palavras me empurram no peito
há coisas que não cabem na minha língua,
que queimam se as dizes ao ouvido,
mas encontram curso quando as estendo
sobre a pálida celulose.
Às vezes o pensamento é um relâmpago,
e a mão, um caracol.
Os dedos tropeçam, vão lentos
enquanto a ideia galopa,
e nesse desfasamento,
eclode a imperfeição, o ardor,
a beleza de nunca alcançar por completo
o que a mente viu num lampejo.
Escrevo para olhar de soslaio,
para dizer "a chuva" e significar "tua ausência",
para nomear o vidro e que entendas "o medo".
Porque às vezes o reto é um desvio,
e o torto, o atalho mais direto ao centro.
Posso ser o fio na tua faca,
ou a brisa que acaricia sem tocar.
Posso encerrar-me em torres com léxico de marfim,
em labirintos onde só eu habito,
e perder-te na espessura da palavra.
Mas de que serve a palavra arcana
se ninguém decifra a rota?
Então, preferirei sempre a pedra clara,
a metáfora que se deixa beber,
a frase que não precisa de dicionário,
mas sim de essência e coração.
Não atesto que o poema seja troféu,
é ponte;
e se não atravessas,
eu fico na margem do nada.
Assim, atiro os meus versos ao vento,
como quem solta sementes sem saber onde cairão.
Talvez cheguem à tua janela,
ou quem sabe os apanhe um estranho
que se aproprie do seu espírito,
os vista com a sua própria carne,
os chore com a sua própria chuva.
Porque no final,
não desejo um monólogo.
Quero uma confidência a várias vozes,
uma garrafa lançada ao mar do tempo
com a esperança de que alguém,
em alguma margem,
a abra e encontre
o eco da sua própria sede.
Não escrevo porque aprendi o ofício,
nem para ocupar um lugar nas estantes.
Escrevo porque o silêncio pesa-me mais do que a alma.
Porque se não disser isto, rebento.
Não escrevo porque sou poeta.
Verso por necessidade.
Poema original de @camelia28