Foto de Marta F. Reis tirada do jornal ionline
Parece que esta notícia vem a propósito do meu último post.
Segundo o jornal ionline na pequena aldeia de Châlette-sur-Loing, França, um homem ameaçou um transeunte com uma faca e ameaçou colocar bombas na cidade. A seguir entrou no carro e seguiu o seu caminho. Os presentes anotaram a matrícula e informaram a polícia que viria a imobilizar o carro mais tarde.
“Nas imagens surgem seis agentes de armas apontadas ao veículo e que pedem ao homem para sair da viatura. Depois de algumas bastonadas nos vidros, o homem tenta arrancar embatendo num dos carros da polícia colocados de forma a travar uma eventual fuga. Apesar dos avisos e do bloqueio, consegue fazer uma manobra e sair do cerco, e é nesse momento que os polícias começam a disparar, num tiroteio que se revelaria fatal. “ (transcrição da noticia do ionline).
O que me espanta nesta notícia é a indignação dos comentários feitos: a polícia devia ter usado um taser, ou gás pimenta, devia ter dado uma bastonada no braço, etc. etc. etc.
E porquê toda esta indignação ? Porque o senhor em causa era Português. Isto é: chamava-se Luís e não Hassan. Porque se fosse Hassan os comentários achariam fantástica a acção policial. Fala-se mesmo dos imigrantes e da tolerância cega para com eles. Ora o Luís também era imigrante.
Claro que a notícia é triste, até porque, ao que parece, o Luís teria problemas psicológicos mas “nunca fez mal a ninguém”. Mas o Younes também era considerado como um exemplo, excelente rapaz, óptimo estudante. Conhecia a polícia francesa o Luís ? Claro que não.
O problema que aqui se passa é a passagem de um estado democrático para um estado securitário que, ao que parece, a generalidade das pessoas apoiam. É não se debaterem seriamente as causas para encontrar as soluções. É bem mais fácil partir-se do pressuposto de que todos são terroristas e, mesmo nesse caso, primeiro dispara-se e depois logo se vê. Num país que está em estado de emergência há mais de um ano é natural que a polícia se sinta segura para disparar.
E se o Luís se chamasse Hassan quase toda a gente batia palmas.
Assim, membros da sempre pacata comunidade portuguesa, foram incendiar carros. Está certo.
Mas todos concordam que é crime levar uma garrafa de água para o avião e estão por isso dispostos a estar horas em filas e a ser apalpado no aeroporto não vá um terrorista levar uma bomba dentro da garrafa, todos acham bem a video-vigilância pelas ruas das cidades, a escuta indiscriminada de telefones e mails … quem não concordará em pôr chips de localização nas crianças …
“Aqueles que estão dispostos a prescindir de um pouco de liberdade por um pouco de segurança, não merecem nem uma nem outra e rapidamente vão perder as duas.”
(Thomas Jefferson - Presidente dos Estados Unidos entre 1801-1809)