This publication was also writen in SPANISH and PORTUGUESE.
Under the rug of Brazilian history, there are dirt that might even sound like a bad joke; but in reality, they are so true that they make us question how some mass communication mechanisms were so "bold" in their campaigns, and how justice (in different spheres) was so "permissive", so to speak. One of the most classic examples mixes beer and politics, using elections across the country as "showcases".
Antarctica (which today is one of the brands under the Ambev group; one of the largest - and most well-known - beverage companies worldwide, and a leader in Latin America), until the mid-90s, displayed its own logo on the front of voting booths. Without any discretion, and in large letters, the advertising for this product was absurdly obvious. What is now seen as an illicit act was not yet fully regulated at the time, and was legally accepted.
One of the most emblematic episodes of that past features the Formula 1 driver Ayrton Senna voting in one of the booths sponsored by that brand. This reinforced the idea that the entire marketing campaign could be even more "viral", and have a broader impact (even though at the time, the technological spectrum could not measure what the future would be like after the birth of the internet). The act was permitted, but it already fueled a "debate" about morality (and ethics).
In that specific period of redemocratization, the Electoral Justice was burdened by a budgetary weight. Therefore, it was necessary to rely on the private sector's help to make the electoral process possible at the national level. Although it was a questionable "factor" (from a social perspective; since the law itself prohibits the sale of alcoholic beverages on voting days), the decision was not initially vetoed because the justice system itself did not yet have clear parameters.
Within a dubious interpretation, the justice system did not allow this to happen... On the other hand, it also did not prohibit it. The essence behind this past is solely a "quid pro quo" based on money to subsidize the necessary structures that would make the mobilization of this type of event a reality. The definitive veto regarding this type of attitude only occurred after the 1998 elections. Since then, the justice system has a clear understanding of that past.
Whenever, for some reason, I "go back in time" to learn a bit more about the history of my own country, I can't understand how some episodes can be so "contradictory" in relation to what happens today; even though society has evolved (at least in theory, because in practice things are not so different within a more generic scope), some values are clear, and have always been treated as something non-negotiable.
Cerveza, política y un “pasado oscuro”.
Bajo la alfombra de la historia de Brasil, existen suciedades que hasta parecen sonar como una broma de mal gusto; pero que en realidad, son tan verdaderas que nos hacen cuestionar cómo algunos mecanismos de comunicación de masas eran tan "osados" en sus campañas, y cómo la justicia (en diferentes esferas) era tan "permisiva", por así decirlo. Uno de los ejemplos más clásicos mezcla exactamente cerveza y política, usando elecciones en todo el país como "vitrinas".
Antarctica (que hoy es una de las marcas integrantes del grupo Ambev; una de las mayores -* y más conocidas* - empresas de bebidas a nivel mundial, y líder en América Latina), hasta mediados de los años 90, estampaba su propio logo en la parte frontal de las cabinas de votación. Sin ninguna discreción, y en letras mayúsculas, la propaganda de este producto era absurdamente obvia. Lo que hoy se ve como un acto ilícito, en esa época, aún no estaba totalmente regulado y era jurídicamente aceptado.
Uno de los episodios más emblemáticos de ese pasado, muestra al piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna votando en una de las cabinas que estaba patrocinada por esa marca. Esto reforzaba la idea de que toda la campaña de marketing podría ser aún más "viral", y con una repercusión más amplia (aunque en esa época, el espectro tecnológico no lograba medir cómo sería el futuro después del nacimiento de internet). El acto era permitido, pero ya alimentaba un "debate" sobre moral (y ética).
En ese período específico de la redemocratización, la Justicia Electoral sufría con un peso presupuestario. Por lo tanto, era necesario contar con la ayuda del sector privado para que el proceso electoral fuera posible a nivel nacional. Aunque fue un "factor" cuestionable (desde el punto de vista social; dado que la propia ley prohíbe la comercialización de bebidas alcohólicas en días de votación), la decisión no fue vetada inicialmente porque la propia justicia aún no tenía parámetros claros.
Dentro de una interpretación ambigua, la justicia no permitía que eso sucediera... Por otro lado, tampoco lo prohibía. La esencia detrás de ese pasado es únicamente un "intercambio de favores" basado en dinero para subsidiar las estructuras necesarias que harían posible la movilización de este tipo de evento. El veto definitivo en relación a este tipo de actitud, ocurrió solo después de las elecciones de 1998. Desde entonces, la justicia tiene un entendimiento claro sobre ese pasado.
Siempre que por alguna razón "viajo en el tiempo" para conocer un poco más sobre la historia de mi propio país, no puedo entender cómo algunos episodios pueden ser tan "contradictorios" en relación con lo que sucede hoy; aunque la sociedad haya evolucionado (al menos en teoría, porque en la práctica las cosas no son tan diferentes dentro de un ámbito más genérico), algunos valores son claros, y desde siempre deberían ser tratados como algo innegociable.
Cerveja, política e um “passado obscuro”.
Debaixo do tapete da história do Brasil, existem sujeiras que até parecem soar como uma piada de mal gosto; mas que na realidade, são tão verdadeiras a ponto de nos fazer questionar, como alguns mecanismos de comunicação em massa eram tão “ousados” em suas campanhas, e como a justiça (em diferentes esferas) era tão “permissiva”, por assim dizer. Um dos exemplos mais clássicos mistura exatamente cerveja e política, usando eleições em todo o país como “vitrines”.
Antarctica (que hoje é uma das marcas integrantes do grupo Ambev; uma das maiores - e mais conhecidas - empresas de bebidas a nível mundial, e líder na América Latina), até meados dos anos 90, estampava o seu próprio logo na frente das cabines de votação. Sem nenhuma discrição, e em letras garrafais, a propaganda desse produto essa absurdamente óbvia. O que hoje é visto como um ato ilícito, na época, ainda não era totalmente regulado, e era juridicamente aceito.
Um dos episódios mais emblemáticos desse passado, traz o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna votando em uma das cabinas que era patrocinada por essa marca. Isso reforçava a ideia de que toda a campanha de marketing poderia ser ainda mais “viral”, e com uma repercussão mais ampla (ainda que na época, o espectro tecnológico não conseguisse mensurar como seria o futuro depois do nascimento da internet). O ato era permitido, mas já alimentava um “debate” sobre moral (e ética).
Naquele período específico da redemocratização, a Justiça Eleitoral sofria com um peso orçamentário. Logo, era preciso contar com ajuda do setor privado para que o processo eleitoral fosse possível a nível nacional. Embora tenha sido um “fator” questionável (do ponto de vista social; uma vez que a própria lei proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas em dias de votação), a decisão não foi vetada inicialmente porque a própria justiça ainda não tinha parâmetros claros.
Dentro de uma interpretação dúbia, a justiça não permitia que isso acontece... Por outro lado, também não proibia. A essência por trás desse passado é unicamente uma “troca de favores” baseada em dinheiro para subsidiar as estruturas necessárias que tornariam real a mobilização desse tipo de evento. O veto definitivo em relação a esse tipo de atitude, aconteceu apenas depois das eleições de 1998. Desde então, a justiça tem um entendimento claro sobre esse passado.
Sempre que por alguma razão eu “volto no tempo” para conhecer um pouco mais sobre a história do meu próprio país, eu não consigo entender como alguns episódios conseguem ser tão “contraditórios” em relação ao que acontece hoje; ainda que a sociedade tenha evoluído (ao menos em teoria, porque na prática as coisas não são tão diferentes dentro de um escopo mais genérico), alguns valores são claros, e desde sempre deveriam ser tratados como algo inegociável.