Vive-a-vida, o inseto de duas cabeças

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Há naquele mundo uma bela espécie de inseto chamado de vive-a-vida. Ele possui grandes asas e aparentemente duas cabeças. Porém, uma delas é falsa. Ela é posicionada numa extensão da sua asa na parte traseira. Assim, aumenta-se a chance de se escapar do ataque dos terríveis predadores, pois estes sempre atacam a cabeça, que é a parte mais vulnerável.

Naquele dia, o grande inseto voava distraidamente quando percebeu ter adentrado numa região infestada de predadores. Então, ele rapidamente começou a procurar abrigo no solo. Porém não conseguia achar nenhum esconderijo.

Ao ver umas gotículas no chão, ele teve uma ideia. Ele pousou perto delas com a sua cabeça falsa quase tocando-as. Ele ficou imóvel e com os olhos verdadeiros fechados. Assim, esperava que – se um predador atacasse – teria ainda mais chance de atacar a cabeça falsa, pois ela aparentava sugar as gotículas. Ele maximizara a sua chance de escapar do ataque, pensou.

Porém, algo inesperado aconteceu. De debaixo de uma folha, um pequeno inseto saiu. Um jovem que ainda não voava se aproximou da cabeça falsa que parecia se alimentar. O pequeno se aproximou e disse: “Estamos há muito tempo escondidos sob as folhas secas com medo dos predadores que apareceram de repente. Agora, vendo você descer para beber aqui, me pareceu seguro sair.”

O vive-a-vida permaneceu em silêncio… Então, o pequeno inseto aproveitou e perguntou: “Eu poderia beber um pouco também? Estou morrendo de sede. É seguro ficar aqui agora?”

O inseto de duas cabeças somente balançou o corpo, e a cabeça falsa moveu como se consentisse.

Então, o pequeno inseto gritou: “Pessoal! Pode sair pra matar a sede. Agora está seguro aqui!”

Num instante, de sob as folhas saiu um monte de jovens insetos correndo em direção às gotículas. E este foi o sinal para os predadores saírem das árvores próximas e mergulharem em direção a eles.

Os predadores banquetearam-se. Disputando, despedaçando e engolindo apressadamente os pequenos corpos.

Aproveitando a confusão, o inseto de duas cabeças abriu os olhos e se lançou no ar. Afastou-se sem olhar para trás. Ganhou os céus e deslizou em direção ao horizonte. Sentiu-se feliz e encantado por estar vivo, e ainda com suas asas e cabeça falsa intactas. Viveria mais e com mais chances de sobreviver a outros encontros perigosos. Ele nem queria saber quem eram aqueles jovens insetos. Nunca tinha visto nem falado com eles. O que de fato era verdade.

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