Prisão Perceptiva

dosh(64)
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Um dos ensinamentos mais impactantes para mim é o que o Sr Souza chama de prisão perceptiva e como mais de 99% dos seres humanos passa a vida toda encerrado neste cárcere sem jamais duvidar que a sua realidade particular não é tudo que existe e sem suspeitar toda a vastidão que sua consciência tem potencial de atingir mas nunca é utilizada.


A explicação de porque estamos presos em uma única forma padronizada de ver o universo é tão simples que de início me pareceu difícil de acreditar: Acreditamos que o mundo e as coisas são o que são e como são, pelo simples fato de que estamos o tempo todo, ininterruptamente, dizendo para nós mesmos que o mundo e as coisas são assim mesmo, de tal e tal modo.

Repetimos sem parar para nós mesmos, nossas crenças, concepções, etc. Reafirmando o mundo que nos rodeia. Ele explicou que o que nos mantém presos nesta prisão perceptiva é a nossa própria tagarelice interior.

Conversamos o tempo todo com nós mesmos, e a imensa maioria deste diálogo é composto de ideias que não são nossas em essência, mas nos foram implantadas de fora pela nossa educação e socialização.

A torrente continua de palavras, padrões mentais, diálogos internos, nunca deixa espaço nem liberdade para percebermos toda aquela vastidão misteriosa que está sempre ali oculta, pronta para ser alcançada, mas nunca acessada.

É triste pensar que passamos toda nossa vida presos neste círculo vicioso de tagarelice interior, desde o momento que nos damos conta como indivíduos até a hora da nossa morte, amarrados ao mesmo monólogo cansativo e estéril.

Felizmente existe a opção da liberdade, embora não seja fácil, pois requer um esforço sobre humano para quebrar este padrão.

Buscar a liberdade exige muita força de vontade, disciplina e uma vida inteira de prática e treinamento.

A principal técnica que ele ensinava para fortalecer nossa capacidade de interromper nossa tagarelice paralisante e alcançar graus maiores de liberdade perceptiva é o que chamava de Desfazer.

Esta técnica possibilitava pouco a pouco aquietar nossa mente e fortalecer nosso lado mais silencioso.

Atingir esta quietude interior era o objetivo de tudo, pois só a partir do silêncio é possível chegar a um novo patamar de consciência mais livre e se apropriar de novas maneiras mais significativas de ver o universo, além da “prisão perceptiva”.

A técnica tem este nome por que, segundo ele, tudo que fizemos até agora em nossas vidas cotidianas foi Fazer e estar continuamente Fazendo é o que nos moldou nossa prisão.

Assim era necessário Desfazer. Precisávamos nos esvaziar de nossas concepções e preconceitos, para poder ver o universo como que de novo pela primeira vez.



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