Olá, z z z z Z Z Z Z Z
Tudo começou com uma frase que, em qualquer era de sanidade, soaria como um erro de sistema: "Vou fazer um curso para aprender a ser espontânea." Disse minha amiga durante nosso café da manhã, aqui na chácara. Médica na capital paulista, leva uma vida intensa, e veio me visitar e aproveitar o fim de semana prolongado para relaxar.
Minha gargalhada não foi educada; foi visceral, uma ocorrência do hardware humano incontrolável. kkkkk
O olhar de surpresa dela cruzou o espaço entre nós, criando um silêncio constrangedor, cheio de tensão.
Senti que ela ficou visivelmente abalada pela espontaneidade da minha risada.
Pedi desculpa, disse: “Treinar espontaneidade, minha querida? Você vai é jogar dinheiro e tempo fora.”
O dia estava lindo. Saimos para uma breve caminhada pela chacara. O assunto foi esquecido. Apreciamos as ortências, que estavam carregadas de cores azuis, verdes, brancas... Ao retornarmos para casa, ela resolveu tomar sol e deitou-se na cadeira poltrona à beira da piscina. Nas montanhas, a água forma cristais de gelo na superfície, como pequenos espelhos do tempo.
Aproveitei para preparar o almoço no fogão a lenha que já crepitava vigoroso e aquecia a casa.
Pela janela, podia vê-la. Havia algo acontecendo além da lógica visível. O cérebro dela processava lentamente a incoerência do que dissera, atravessando camadas silenciosas de reflexão, querendo romper aquele ponto de interrogação que a frase: treinar ser espontânea, cristalizou como o gelo superficial da piscina.
Lá estava ela, deitada, aparentemente relaxada, sem fazer nada — mas algo mágico ocorreu: o clique cognitivo.
Agora ela ria, sem conseguir organizar as palavras. Eu entendia o absurdo do momento: Depois de rir sozinha, levantou-se e veio até mim... Rindo ainda... Era contagiante. E nós duas caímos na gargalhada, deixando o universo dançar com sua própria economia de energia. Ela ria e dizia sem completar a frase ou a explicação: Treinar para ser expontânea... kkkk Que absurdo... kkkkk
Aqui entra o ócio criativo: a mente que se permite relaxar, deitada à beira da piscina, não é preguiça mental. É espaço para que os circuitos internos se conectem, que o insight floresça, que a energia do cérebro — nosso maior consumidor de recursos — seja usada com sabedoria.
Preguiça é o desligamento sem propósito, o vazio que não gera percepção. Ócio criativo é ação invisível, trabalho interno silencioso, puro investimento energético.
Mindfulnes entra aqui como prática: sair do automatismo, desligar o modo Beta constante, perceber as frequências internas, como faziam os yoguis ancestrais. O insight não é baixado por cabo, não vem de fórmulas; ele floresce na atenção plena, na paciência do tempo que atravessa pensamentos e memórias, respeitando a energia do cérebro.
E assim, entre risadas e reflexões, compreendemos: espontaneidade não se treina. Ela se revela, se manifesta quando a mente é liberada, quando o universo permite que a energia siga seu fluxo natural, suave, econômico — mas magnífico. Na segunda-feira ela me envia uma mensagem: Foi um final de semana maravilhoso e me sinto recarregada. Adivinha? Acabo de cancelar o curso de espontaneidade. E acrescentou. kkkkkkkkkkk
Eu ri... z z z Z Z Z Z
tk
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