Antes do setor de Finanças Descentralizadas surgir, não existiam muitas maneiras de obter retorno com criptomoedas: ou os usuários efetuavam trades com seus ativos, ou mantinham-nos na carteira aguardando sua valorização. Ou seja, a forma usual de obtenção de lucro era apenas na aquisição de criptomoedas e a exposição direta ao seu valor.
No entanto, os smart contracts criados, a ‘priori’, pelos pesquisadores da Ethereum — destacando-se Vitalik Buterin como seu idealizador — deram vida a um novo ecossistema no universo cripto. Com eles, qualquer um com conhecimentos básicos de programação poderia criar um dapp¹ a sua maneira, possibilitando a construção de um novo sistema financeiro baseado em criptomoedas.
Assim, gradualmente, a descentralização das finanças vem ocorrendo através do desenvolvimento de aplicativos descentralizados capazes de replicar instrumentos financeiros tradicionais — ou ir além deles. Estes, possibilitam investidores não só investirem em projetos e seus tokens, mas rentabilizá-los passivamente.
A estes lucros obtidos, dá-se o nome de yield farming.
Para a obtenção de ganhos nestes dapps, usuários precisam depositar seus tokens nos smart contracts de protocolos DeFi. Estes, precisam desta confiança, para exercer suas funções, cada um com seu objetivo:
Devido à necessidade de liquidez para prover os serviços ofertados aos usuários, muitos protocolos atraem-nos utilizando estratégias de incentivos com recompensas financeiras, seja em seus tokens nativos, seja em tokens de dapps parceiros.
Para atingir essa finalidade, cada um deles precisará gerar receitas capazes de manter o protocolo e pagar os incentivos aos usuários provedores de liquidez:
Fonte: ShapeShift DAO
Fonte: Aave
Seguradoras - Os seguros vendidos por estes tipos de protocolos também tem sua maneira particular de incentivar os usuários a depositar seus tokens. Como estes dependem da liquidez nos smart contracts para a cobertura dos seguros contratados por seus titulares, estes dapps remuneram com seus tokens nativos aqueles que confiam-nos a posse de suas criptomoedas.
Derivativos - Os usuários que emitirem os tokens sintéticos, obrigatoriamente depositam tokens nos protocolos como garantia. Como retribuição, são destinados a eles uma rentabilidade anual por manter seus tokens depositados no protocolo, incentivando o uso dos ativos emitidos.
As categorias de protocolos acima são apenas algumas maneiras de rentabilizar criptomoedas de maneira passiva. Em DeFi, muitas estratégias podem ser usadas para maximizar os lucros e também auxiliar no gerenciamento de risco.
Por isso, cada um deve definir seu perfil e estudar a melhor forma de alocar seus ativos, experimentando utilizar protocolos com smart contracts auditados, com bom histórico, time de desenvolvedores e comunidade ativos.
Sendo assim, bom yield hacking !
¹dapp é a abreviação para decentralized app ou aplicativo descentralizado.
²LP é a sigla utilizada para Liquidity Provider. Estas, são representações da liquidez fornecidas pelos usuários aos protocolos.
³CEX é um acrônimo dado para Centralized Exchanges ou corretoras centralizadas, como a Binance e Coinbase.
Artigo de Guilherme Barbosa, selecionado através do Fluxo de Informação e Globalização da ShapeShift DAO em 31/10/2021.