Gosto de miradouros. O mundo torna-se pequeno e eu grande.
As ruas encostam-se umas às outras como a dizer: aqui não passas, mas passam.
Também eu passava dias nisto, a olhar o mundo do alto do nada.
Também eu me encostava agora à rua ao lado só para favorecer a conversa da vizinha quase surda enquanto gritava: não passas!
E ela: ai menino não grite assim que eu não sou surda!
E eu importado com isso, cá do alto podem até se pôr em bicos de pés, ninguém é mais alto que eu.
Depois apercebo-me que esqueci o café na chávena só porque quis dizer aí para baixo que gosto de miradouros, o tempo suficiente para um café ficar frio numa esplanada à beira mar onde a vida não passa!
É possível que não seja bem assim mas tenho para mim que gosto de miradouros mesmo que não me deixem passar.
Pedi outro café.