...Estamos num bar, numa taberna... ...ao ritmo duma vontade única. Os cheiros da rua dão lugar ao cheiro da nossa pele, a música é a nossa respiração, o burburinho que ainda há pouco entrava porta adentro transformou-se no som do teu vestido amarrotado nas minhas mãos. O homem que dorme, e agora com toda a certeza, profundamente atrás do balcão, já lá não está, deixou-nos, seguramente, deixou a chave à nossa sorte, saiu discretamente e foi, talvez cuidar que o sol não se precipite abruptamente noite adentro e leve consigo a luz que ainda nos espreita.
Somos só nós e a mesa onde te espreguiças em gemidos quase imperceptíveis e tão fáceis para mim de traduzir.
Os teus olhos, os poros abertos e húmidos da tua pele, o sabor a ti que me fica na boca, o calor que te sobe ventre acima e te faz ondular o corpo num ritmo interno e desgovernado, a vontade expressa na tua boca de matares essa mistura de sede e fome, a respiração que já não controlas, o arrepio que sinto ao percorrer-te em cada esconderijo da tua pele, dizem-me, com a mesma certeza do que lês em mim: Sou tua, vem!