Não sabes, e juro que ainda bem.
Foste verso nas minhas mãos e eu, finjo que não dói.
Foi tão verdade como a maior das mentiras, possuir-te até à imensidão desta inquietude, desta bebedeira que és.
Ainda bem que não sabes, doem-me todas as noites que fui teu, dói-me a tua pele e o fogo nos olhos.
Bebo-te num trago, bebo-te a noite inteira, sem freio, sem hora de fechar, peito abaixo sôfrego, dei-te este homem que te desejou todas as noites, embriagado de tanto te ter.
Quis-te todas as noites, todas, tão intensamente como a tempestade que se fará maresia e possuir-te em todas as janelas, possuir-te, tão alto que se ouve cá dentro, tão nós que ainda sei o perfume do teu desnorte.
Ainda bem que não sabes.
Somos só um sorriso,
e ainda bem.