Ninguém sabe como aconteceu. Aqueles que sabiam já desapareceram há muito, deixando um registro do passado onde o mito e a realidade são indissociáveis. Este ténue registro é mantido “vivo” pela tradição oral do povo de Ragh, onde os mais velhos têm o dever de passar as futuras gerações o conhecimento sobre o que uma vez foi.
A lenda descreve a fantástica capacidade de poder para criar e destruir, a capacidade para mudar o curso natural da vida e para superar os limites que prendem os seres vivos a sua anatomia, tudo isto feito pelos seres que antecederam aqueles que agora fazem parte do povo de Ragh.
É natural que muitos membros do povo pensem para si mesmos: “Como é possível termos vindo de tais seres? Porquê que os ancestrais nos abandonaram? Se somos produtos de semideuses como podemos ter uma vida tão efémera e frágil? Será que algum dia eles vão voltar ou será que iremos ascender a tão grandes alturas novamente?” Estas questões percorrem o imaginário de todo o ser humano que existe no povo de Ragh e são elas que, muitas vezes, os motivam a continuar a viver, a continuar a procurar algo melhor num mundo tão inóspito que mesmo os ancestrais ficariam surpreendidos com o resultado das suas ações.