Já sentia saudades de atirar palavras para o papel vazio. Palavras que me assombram a mente e vagueiam cá dentro. Os tempos mudam, e de tempos a tempos lá surge um ou outro pensamento mais profundo, que se não for atirado permanecerá no vazio eterno, que não o do papel. Não sei o quanto pesam as palavras ao certo...mas há dias que o seu peso é impossível de carregar mais. Atiradas ao acaso, deixam de ecoar no vazio da mente, e transformam-se em apenas mais um pedaço de mim derramado sobre o papel. Pedaço esse que não importa mais...e fica preso a um tempo que paira no ar. Palavras são para se dizer, são para se sentir, são para nos livrarmos do peso que elas nos forçam a carregar...são o aguentar com o peso das palavras dos outros. Carregar em nós palavras alheias, palavras que apenas não passam disso: palavras mesmo. Quanto mais penso nas palavras que tenho para atirar ao papel, menos vou tendo o que dizer. As palavras fogem-nos, desvanecem...perdem a importância com o passar do tempo. Por outro lado, pesam e custam a carregar connosco e fazem-nos pensar no seu porquê. Quantas palavras nos atiram ao chão, tal não é o peso que possuem...e quantas outras nos levantam no momento seguinte... Não fossem as palavras emoções! E as palavras que eu nunca te direi...e que ficarão pra sempre presas cá dentro, com medo de sair. São de um peso tal, que chega a assustar...chegam a doer de se carregar. Não te quero atirar com elas, não sei se aguentarias o seu peso. Sei que as palavras correriam atrás de ti no tempo incerto e por mais que fugisses iriam te perseguir. E eu não quero que as minhas palavras te persigam. Não quero que sintas o peso de carinho que elas carregam, de ternura, de ansiedade, de desespero. Palavras que não regressariam a mim e deixavam de ter a importância que lhes atribuí. Palavras que saiem ao som das notas de um piano, como se de amor se tratasse. Palavra puxa palavra...e se não me escapasse o tempo que vejo fugir entre os dedos, ficaria aqui, com as minhas palavras o resto da minha vida...
De repente, nunca tão poucas palavras tiveram tanto significado.