Meu irmãozinho está chorando.
Meu irmão veio correndo
os degraus da varanda dos fundos
e enterrou o rosto na minha coxa.
Não consigo ver nada.
Os gritos são elétricos na minha pele.
Meus interiores ficam gelados, uma fraca fraqueza nas minhas mãos.
Permanecemos quietos até finalmente - terrível silêncio
nos liberta. Nós ficamos lá suando até,
Vamos, eu digo, vamos para a loja
Nós caminhamos pelo quarteirão até a esquina.
Nós entramos, recebendo pingos do ar condicionado
acima da porta, em nossos cabelos suados.
Meu irmão não disse nada. Mas
ele segura minha mão.
Eu não sei porque
Mas tenho medo de olhar para ele.
Caminhamos até o corredor do meio.
A porta do freezer.
Eu digo, escolha um sorvete. Um grande.
Eu tinha empilhado um quarto da cômoda do meu pai mais cedo
no dia. Eu ia me tratar.
Olho para o topo da cabeça.
Eu agito seu ombro. Vamos, eu digo novamente.
Ele sacode a cabeça não.
Eu digo, vá em frente - está quente.
Ele coloca a mão no congelador
e leva sem olhar.
No caminho de volta, atravessamos o beco.