Talassofobia – O Medo do Oceano

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A talassofobia é o medo irracional do oceano, da sua imensidão e do que ele oculta. Procurei artigos mais sérios para fundamentar o texto, mas não encontrei nada profundo, apenas descrições vindas de sites comuns da internet.

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O nome dessa fobia de caráter anormal vem das palavras gregas thalassa, que significa mar ou oceano, e de phobos, que significa medo. Essa é uma das várias fobias associadas à água. Seu objeto de terror pode ter certo grau de variação, estando associado à água salgada, ao medo de grandes ondas, medo da distância da terra ou mesmo ao medo da vastidão do oceano. É possível que o mais marcante seja, ainda, o medo de encontrar criaturas marinhas. Porém, é comum que o ponto mais relevante na fobia seja associado à vastidão do Oceano, o qual se apresenta a nós como o terreno do desconhecido, das profundidades e dos mistérios.

Quem possui a talassofobia, pode ter medo de nadar em grandes corpos de água como rios ou o oceano, assim como ter medo de fazer viagens que transitem por esses meios. A talassofobia tem um aspecto assustador que vem do fato de que quanto mais se aprofunda nela, mais assustadora pode ficar, pois seu objeto de medo, o mar, é marcado pelas profundidades quase insondáveis e criaturas desconhecidas e estranhas que lá habitam.

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As causas podem ser variadas. Pode ser que venham de uma questão relacionada ao imaginário popular. Quantas vezes não nos deparamos com notícias sobre banhistas sendo atacados por tubarões e outros animais? E quantas criaturas estranhas, gigantes e alienígenas ao mundo terrestre não aparecem nas praias trazidas pela maré? O oceano é depósito do nosso imaginário, é onde projetamos medos que habitam o sempre desconhecido. Podemos conferir esse fenômeno em filmes como Tubarão (filmes sobre terrores no mar não faltam!) e em livros como as 20 mil léguas submarinas de Júlio Verne. Há sempre um elemento desconhecido e aterrador no mar e isso reflete em nossa cultura, mesmo que não chegue habitualmente ao nível de fobia. Porém, a própria natureza do nosso imaginário de criaturas monstruosas, vastidões desconhecidas e naufrágios inescapáveis servem para fortalecer o medo de quem tem talassofobia.

Outras causas podem vir de eventos traumáticos e até ligação com desordens de caráter genético, assim como doenças envolvendo a glândula tireóide, desequilíbrios hormonais e insuficiências adrenais (nos lugares em que pesquisei, não é oferecido aprofundamento na questão biológica). Existe quem defenda que esse tipo de medo também pode ser de origem familiar, sendo passado de alguma forma pelos pais à criança.

Tratando dos sintomas, eles podem surgir quando a pessoa se encontra perto da praia enquanto que alguns podem não conseguir ver imagens ou filmes que tenham como conteúdo o oceano. O fóbico pode apresentar tremor ao ver o oceano. Sentir-se apavorado e produzir ideações negativas relacionadas à morte são coisas comuns quando uma situação engatilha a talassofobia com seus sintomas. Outro sintoma é o de se sentir removido e afastado da realidade, sentindo-se dormente ou ficando impossibilitado de se expressar claramente; pode acontecer de a pessoa chorar ou fugir e também apresentar problemas gastrointestinais e náusea.

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Entre as opções para superar a talassofobia, são apontadas opões como Hipnoterapia e PNL (Programação Neurolinguística). A primeira abordagem envolve uma pessoa treinada e profundo relaxamento, buscando encontrar a raiz da fobia. A PNL ajudaria o fóbico a reprogramar sua mente, criando respostas diferentes às que ele normalmente tem quando confrontado com o seu medo. A terapia cognitiva comportamental (TCC) ajudaria na luta contra fobias em geral, sendo ela baseada na ideia de que a reação da pessoa à situação pode estar mais relacionada à própria percepção distorcida do que à situação que se apresenta de fato. Ou seja, a antecipação de um evento, nesses casos, acaba sendo pior que o evento em si; então a TCC busca dissolver as ideações negativas e distorcidas da pessoa, mudando seu comportamento perante o elemento que dispara o medo.

As implicações da talassofobia também podem ser visitadas desde o ponto de vista arquetípico. O oceano pode ser uma imagem para elementos primordiais que invocam coisas como: profundidade, vastidão e desconhecido. Ou seja, o próprio inconsciente é representado ali. Um senso de infinitude. Isso não precisa ser necessariamente algo de caráter negativo ou aterrador. Freud falou no sentimento oceânico como o sentimento de conexão com o mundo, de união com o todo, de que se é parte de algo maior que nós mesmos. O sentimento oceânico seria parte importante da fundamentação religiosa.

Contudo, tratando de uma fobia, devemos olhar para o oceano em seu aspecto aterrador. Quantos sonhos não contam com ondas gigantes varrendo a terra? As águas desconhecidas trazendo coisas inesperadas do oceano – criaturas, algas e tudo mais – sobre a terra onde erigimos nossa civilização. Muitas vezes, podemos ver nessa imagem as águas do inconsciente em tom de revolta varrendo a terra segura de nosso consciente, causando um cataclismo simbólico que aponta para renovação ou para o colapso da ordem estabelecida. O medo do oceano também é o medo daquilo que é maior e mais profundo que nós, daquilo que tem em si o que nos é estranho e ameaçador.

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As criaturas do mar não são como nós, elas são de uma ordem totalmente diferente e que, se bem pensada, carrega um aspecto quase alienígena! Não podemos viver no mesmo ambiente que elas, pois o próprio mundo que as envolve nos sufocaria e lentamente causaria nossa morte por afogamento. E muitas daquelas criaturas são muito maiores que nós, superando nossas pequenas medidas em uma proporção assustadora.

As águas cobrem a maior parte do planeta e são mais profundas que nossa mente consegue conceber. Quando falamos em nosso planeta, a terra segura é mais a exceção do que a regra; no mar estaríamos à mercê de um mundo ameaçador e desconhecido sempre disposto a nos atacar. No oceano, nos tornamos presas do desconhecido, estamos totalmente fora do nosso mundo. Ali somos inadaptados, desajeitados e impotentes, pois não podemos respirar e não podemos nadar ou ver tão bem como seus habitantes, ficando apenas à espera que qualquer existência terrível das negruras abissais que descansam sob a superfície venha nos puxar para a morte.

A talassofobia me parece, no fundo, um medo que todos nós temos em alguma medida. Soa como natural temer esses elementos simbólicos da água e do mar. Porém, são raros os casos em que essas impressões chegam ao nível de fobia. Nesses casos em que os sintomas mencionados se apresentam, o melhor é procurar ajuda se for verificado que o medo do oceano está atrapalhando atividades diárias ou sendo um grande incômodo. Além dos métodos apontados anteriormente, há sempre outras opções. A psicoterapia em geral (não apenas a TCC) pode ajudar a enfrentar as causas do medo, os sentimentos em relação a ele e desenvolver estratégias de enfrentamento que possam diminuir a ansiedade da pessoa diante do oceano.

Esse é um tema bastante interessante uma vez que o oceano invoca imagens que nos remetem ao grande desconhecido, ao próprio inconsciente, aos traumas, complexos e à morte.

Obrigado pela leitura!

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REFERÊNCIAS

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Esse é um texto sobre psicologia. Também escrevi sobre o tema em outras ocasiões:

E, às vezes, nos esquecemos no passado | O que vemos lá fora

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