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Sobre a discussão de que japoneses dividem o o público em nichos específicos, ao contrário dos ocidentais que tentam agradar todo mundo, me lembrou que tem algumas diferenças bem interessantes na forma como a Disney e os Japoneses desenvolvem mídia.
Na Disney investem bilhões na produção de um único filme, o qual é escrito por comitê executivo de forma a maximizar o público. Por isso o comitê exige algumas coisas.
- Franquia preexistente para ter um público mínimo composto dos fãs. É proibido criar novos universos, personagens ou o que quer que seja que o público não reconheça antes mesmo de ser apresentado a obra.
- Expansão de público-alvo para além dos fãs, focando em enredos que atraiam pessoas que não são fãs da franquia. Os fãs já estão garantidos mesmo, então nem precisa tentar agradar estes.
- Como o orçamento é muito elevado, o filme precisa ter pelo menos 60% da população da Terra assistindo apenas para não ficar no vermelho, por isso cada cena filmada é reavaliada por grupos de teste, e o roteiro é "remendado" para se adequar às críticas.
- Como os executivos tem mais experiência com mercado financeiro do que com cinema, parte-se do princípio que o retorno de investimento é diretamente proporcional ao orçamento, por isso os orçamentos tão elevados que forçam produtores a polir o filme e remover qualquer coisa que possa ser considerada levemente ofensiva para algum grupo demográfico.
Um exemplo de filme com roteiro BEM remendado é o "Branca de Neve"(2025, mas que era pra ser 2023 ou 2024). É possível ver sinais dos remendos nos 7 anões, que não estavam previstos na versão original que teria "7 bandidos". Os anões foram adicionados por computação gráfica nas refilmagens posteriores após rejeição do produto final por todos os grupos de foco. Mas como os bandidos estavam no roteiro original e a maioria das cenas deles estava pronta, colocaram junto.
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