Em um momento aleatório, comecei a me lembrar de certas coisas da minha infância, e no meio delas veio uma tragédia produzida por Disney em 1942 que assisti muitas vezes na minha infância: Bambi. Me lembrei do fato de nunca ter visto ao longo do filme em nenhum momento o antagonista principal, que seriam os caçadores.
Ainda considero essa uma das melhores formas de se introduzir o antagonista ainda no começo do filme não como personagem, mas sim como uma força ameaçadora sem forma, apenas com efeitos no ambiente. E dificilmente fazem alguma referência ao antagonista, apenas fugindo e se escondendo dele. Só me recordo de uma ocasião em que o Grande Príncipe da Floresta se refere diretamente como O Homem.
No filme inteiro ele é invisível mas os efeitos criam uma atmosfera de terror muito melhor do que se a presença fosse visível. A sequência de mortes de personagens desesperados em fuga na introdução do 3º ato, seguido das fugas do rastro de destruição no intermédio antes do reencontro dos sobreviventes na conclusão.
O maior terror está no desconhecido e isso pode ser bem retratado nesse clássico infantil. Quem dera fossem feitos mais filmes inteligentes assim.
Fora o fato de ser mais barato de produzir, pois não precisa criar uma criatura monstruosa com maquiagem e computação gráfica ou um vilão que age apenas por ser mal como se fosse uma caricatura. Muitas vezes acabam se tornando alvo de ridicularização e críticas pesadas.
A trilha sonora também é maravilhosa e, ao contrário de rumores, não há qualquer prova de que o suicídio do compositor três meses antes do lançamento do filme tenha sido relacionado a alguma discussão com Walt Disney. O mais provável é que tenha sido por conta de uma depressão após perder dois amigos e colegas de trabalho no intervalo de menos de um mês.