Antes de começar este texto, quero propor um exercício simples: acesse o YouTube, role a página inicial algumas vezes e conte quantos vídeos sobre jogos digitais você consegue encontrar. Aposto que você encontrará um bom número, dependendo do dia. Agora, sugiro que você navegue pela seção de jogos e repare quantos vídeos sobre um jogo específico estão no ar: Minecraft.
Conectivismo é uma teoria de aprendizado baseada no conhecimento global colaborativo, onde o saber não se encontra apenas na cabeça das pessoas, mas em todos os lugares, a qual vai ao encontro do "efeito que a tecnologia teve sobre a forma como as pessoas vivem, como elas se comunicam, e como elas aprendem". O mundo mudou, nós mudamos com ele, e com o conhecimento não foi diferente. Hoje, globalizados e conectados, temos uma ampla rede de acesso a conhecimento On Demand de todas as espécies. Já não somos mais reféns de veículos de comunicação, de mestres, doutores ou instituições de ensino. Com um toque na tela do smartphone podemos saber sobre qualquer coisa, em qualquer parte do mundo, a qualquer instante, em qualquer hora ou local. Se a maneira de aprender mudou, o modo de ensinar não deve ficar para trás.
Minecraft não é uma plataforma de ensino, contudo, analisando-o aos olhos da gamificação e do conectivismo, é possível perceber seu imenso potencial e replicar suas mecânicas em outros meios, a fim de atingir metas educacionais.
[OFF: O Google percebeu, e resolveu ensinar computação quântica para as crianças usando o game.]
Segundo George Siemens, em seu artigo "Conectivismo: Uma teoria da aprendizagem para a era digital", a teoria conectivista de aprendizado é sustentada pelos pilares a seguir, os quais tomo emprestados para realizar uma comparação com o game em questão:
Minecraft foi apenas um exemplo que escolhi para abordar o tema dentre vários outros games possuem as mesmas características, onde o jogador tem acesso às ferramentas e infinitas possibilidades para utilizá-las e uma comunidade cheia de "nós", pronta para compartilhar conhecimento. Esta publicação em si é um exemplo de conectivismo, pois é redigida por uma pessoa da rede, disponível On Demand, gerando intencionalmente vários nodes para outros conteúdos e abrindo caminho para que outros sigam o mesmo exemplo, melhorando a mensagem e criando um verdadeiro aprendizado colaborativo.
Existe muito preconceito quanto a certas novidades que fogem do padrão, e muito medo de investir no que é aparentemente desconhecido, por isso o mindset apresentado aqui permanece tímido e sem grande relevância dentro de MOOCs, como é o Coursera. Talvez apenas o próprio conectivismo possa mudar esta realidade, impondo-se em relação ao status quo vagarosamente, pois evoluir não é uma opção: trata-se de um caminho sem volta, cujos mais sagazes e corajosos tomarão a dianteira. Até lá, torço para que os bons nós que nos trouxeram até aqui levem-nos juntos a um futuro glorioso para esta nova era da educação.