A Espera

dosh(64)
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Durante toda aquela noite fiquei encucado e com uma estranha sensação de vazio. Também me consumia uma espécie de ânsia ou sede de algum desejo indefinido.


De quando em quando me surgia na mente em um lampejo a tez felina de Emiliano e aquele seu olhar implacável e penetrante que me fazia quase enjoar.



Definitivamente a ideia de pegar o avião e voltar para o Rio de Janeiro se figurava para mim como uma péssima perspectiva desprovida de significado. Um retrocesso a minha velha vida cheia de rotinas entediantes e que só alimentavam minhas fraquezas.


A viagem já tinha sido deveras intensa mas eu ainda precisava de algo mais. Sentia minha cabeça pesada. Era como se cada pensamento fossem como gotas de chumbo escorrendo pelo meu crânio.

No dia seguinte compareci ao meu compromisso com o Sr Souza em um estranho estado de nervos. Era como se eu estivesse dividido em dois "eus", um deles, que chamarei de meu lado esquerdo, estava muito animado e esperançoso de que algo incrível me seria revelado.

Já o outro, meu lado direito, estava completamente apavorado. Querendo arranjar a todo momento desculpas para desistir e não comparecer. A impressão era de que eu seria assassinado e nunca mais retornaria. Um medo intenso do desconhecido.

No entanto meu "eu" curioso e silencioso era mais forte e me guiava para frente a despeito de meus pensamentos idiotas. Neste estado de espírito cheguei cedo demais no mesmo local do dia anterior e fiquei a esperar.

O céu estava salpicado de nuvens de cor amareladas e toda a floresta e o rio pareciam refletir aquela luz dourada do entardecer. Fiquei observando as águas e o movimento hipnótico das corredeiras e aquilo aos poucos foi me acalmando.

...


A Espera | Ecency