Nas últimas semanas, o tema da corrupção voltou a ser um tema quente no Brasil. Seja pelo assasinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, ou pela tentativa de assasinato do ex-presidente Lula Inácio da Silva, a semana foi marcada por muitas polêmicas políticas. E como não poderia deixar de ser, a questão da corrupção voltou a tona com tudo.
Felizmente, essa semana tive contato com um estudo inovador e muito promissor no campo político para entender a fundo o problema dos escândalos da corrupção que assolam o Brasil. Um projeto de pesquisa do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP aposta na ciência da computação para mapear a corrupção no Brasil, relevando o funcionamento das redes de corrupção no país, podendo chegar até a prever como essas redes são formadas.
O estudo em questão mostra que, diferente do que se imagina, não há uma figura central nos esquemas de corrupção, tais atividades são na verdade formadas por uma rede bem engendrada e fechada de relacionamentos entre várias pessoas. Na pesquisa foram mapeados 404 nomes – entre políticos, empresários, funcionários públicos, doleiros e laranjas –, de pessoas envolvidas em 65 escândalos de corrupção entre 1987 e 2014.
O resultado da pesquisa foi publicado em janeiro no artigo The dynamical structure of political corruption networks (A estrutura dinâmica das redes de corrupção política), no Journal of Complex Networks.
A pesquisa mostra, por exemplo que a estrutura da rede de corrupção é modular mas apresenta ligações estreitas entre diferentes escândalos, a ponto de alguns poderem ser fundidos e considerados como um devido a seus participantes terem relações muito complexas entre si.
O estudo inaugura uma nova forma de se pensar a corrupção: como qualquer outro problema, estudando sua formação, variáveis, contantes e só a partir dai, é possível análisar a efetividade das estratégias que buscam acabar com tais esquemas.