Contos da Taverna dos Feiticeiros

Tafael, o Mestre das Artes

Tempos de sonhos embalados por belas canções preenchiam a Taverna dos Feiticeiros. Magia suprema, elementos puros e dimensões distantes são distribuídas para a plateia, inspiradas por visões quase além da imaginação. E isso é um feito em um local como esse. Poucos patronos ali presentes não eram acostumados com o que a magia é capaz. No final da apresentação, todos se levantaram, aplaudindo com força aquele que se tornara o Mestre das Artes. Uma longa fila para cumprimentar o apresentador do evento formou-se rapidamente. Entre sorrisos e corações iludidos, a atmosfera de admiração irradiava por todos os lados.

— Sua magia de comunicação está melhor que nunca, Mestre das Artes! Você sempre nos surpreende. Quando poderá voltar? Negócios são melhores com você aqui.

Constrangido pelos elogios, o modesto jovem de vinte e poucos anos tinha dificuldade em responder na maior parte das conversas. Mas feiticeiros eram todos excêntricos. Compensavam o silêncio que recebiam em resposta com aceitação e dignidade. Todos eram bons amigos, mesmo que apenas devido à presença que o Mestre das Artes teve em suas vidas. Quando partiu, sua capa vermelha com bordados dourados pontilhando o símbolo da Deusa do Sol coincidiu com o repouso do mesmo astro no horizonte, à vista de todos. "Seria coincidência?" Alguns pensaram. "Não, é claro que não."


Érica, o Rancor de Gelo

O pedido sincero do homem mais injusto do mundo chegou aos ouvidos do Mestre das Artes. Sua mulher não viveria como ela gostaria. Teria o destino que ele planejava, custe o que custar. Executaram o plano perfeitamente. Ainda assim, cerca de um ano depois, ela mesma decidiu libertar-se, percebendo lacunas em sua memória. Para o grande infortúnio de todos, conseguiu.

O feitiço dissipara de repente. Sua mente estava clara novamente. Tendo se comportado normalmente o tempo todo, mesmo seus pais não notaram estar sendo manipulada. Sua pele pálida ficou rubra no mesmo minuto, conforme sua expressão fria mudava para ira. A princesa amava novamente. Ao contrário do que todos na corte desejavam, um mero plebeu barbárico reacendeu seu coração. Longos cabelos ruivos ondulados sacudiam de um lado para o outro durante gritos e profanidades que Vossa Alteza dirigia a todos que acreditava ter conspirado contra ela. Felizmente, sabia que a poção de desamor funcionava apenas uma vez por pessoa. Estava livre para sentir tudo que a incendiasse.

Fugiu, na mesma noite, com seu vestido branco reluzindo ao luar. Os guardas não a viram, sem distinguir entre o reflexo na margem do rio com o encantamento de camuflagem que as joias da família a concediam. Encontrou seu amado, com quem fez as loucuras surpreendentes de sempre, mas diferente das outras vezes, não retornou ao castelo na manhã seguinte. Deixando para trás a vida de realeza com a qual nunca se importara, e passaria os anos seguintes venerando os cachos de seu pretendente apaixonado. Porém, quando mais se sentia segura nos braços do amor de sua vida, foi tomada de volta pelos soldados que encontraram o casal. Seu homem não tentou impedi-los. A futura rainha ficou sabendo mais tarde que ele mesmo era o responsável, tanto pela química de desafeto quanto pela corte conseguir encontrá-la.

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